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sábado, 8 de outubro de 2016

Do amarelo dos teus olhos e do azul de nós dois.

Ler ouvindo Amei te ver.




Eu decidi te olhar devagar e percebi que seus olhos oscilam do amarelo pro castanho. Eu percebi. Eu vi tua voz mudar de tom ao falar baixinho o quanto gosta de mim. Bem baixinho. Quase sem voz, ao meu ouvido. Eu vi você ficar sério falando de economia e investimentos e te achei bonito. Eu vi você parecer uma criança no meu colo. 
Eu vi você. 
Vejo você cortês e sensual, de longe. Eu vejo você o tempo todo. Mesmo quando não está. No meu riso sem motivo no meio dia. No cheiro que me lembra você. No caminho pra casa. Na cerveja que você me deixou. Eu te vejo o tempo todo, na minha ânsia de ter você. Mesmo que isso seja loucura e pareça cedo demais. Porque nossos corpos viram um amontoado de afeto. E nós dois viramos um. Em transe de corpo e suor ou mesmo quietinhos, vendo um programa qualquer na TV. Eu te vejo você dormir enquanto minha mão está no seu cabelo. Vejo minha mão ser guiada pela sua. E principalmente: vejo que não tenho medo. Nem de você, nem de nada. Qualquer coisa parece mais fácil, se eu for sua baby. 
Se eu for sua, baby. Se eu for. 
Então me deixa ser, mesmo que pareça difícil às vezes. Mesmo que eu fique te enchendo de perguntas no meio do jantar. Mesmo que eu morra de medo da chuva no meio da noite. Mesmo que qualquer coisa. Eu tô aqui. Eu tô tão aqui. E tô onde você me pedir pra estar. Porque acho que gostar é isso mesmo. Estar perto, mesmo que longe. Então me deixa estar. E fica. Fica mais, fica sempre. Porque a vida é um saco sem você. Porque eu tô escrevendo um texto apaixonado, mesmo apavorada com essa possibilidade. Porque eu sou a sua baby. Porque eu sou sua, baby. Porque não importa pra mais ninguém. Porque meu sorriso está falando mais alto que eu. 
Porque sim. 
Por tudo aquilo que não controlamos e pelo universo que delicadamente, conspira a nosso favor. Por mim. Fica. 
Eu não me importo nem um pouco em jantar saudade, se você me prometer que sempre chega pro café.


quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Existe amor em SP.

Ler ouvindo Firefly.




Existe em SP.

Entre o vão e a plataforma, existe alguém pra te dizer "Fica, vai daqui pro trabalho amanhã!". Mesmo que cê não esteja com esse humor todo, com essa vibe toda. Existe amor em SP. Existe carinho nos dedos. Alguém pra te ouvir, te olhar nos olhos enquanto você conta algo importante. Alguém que te dá vontade de ouvir Ben Jor e Caetano, enquanto pega um trem cinza. Numa noite feia, numa cidade que está sempre cinza. Alguém que te espera numa estação cinza. Mas faz tudo ficar naquele tom bonito de azul, enquanto faz uma ironia só pra te fazer rir. 
Existe amor atrás da linha amarela da estação. 
Alguém que te faz café. E se revolta com suas injustiças, te fala umas verdades quando precisa. Alguém pra ficar. Alguém que divide seu reino particular com você. E que tem a nuca com cheiro bom. E o abraço gostoso na madrugada, com beijo meio acordado, meio dormindo. Alguém pra ter pra onde voltar. E pra onde ir. Mesmo a cidade tendo esse ar sempre triste. Alguém que te olha e te enxerga. E não tem medo de você. Apesar de tudo. Alguém que divide a cama, o quarto, a batata na janta. 
Alguém que se dispõe. Alguém que te faz sorrir no meio do dia, pensando que talvez a vida não seja tão ruim. Alguém com um humor mais sádico que o seu e um beijo bom, desses que encaixa de primeira. Alguém que não pediu licença pra te beijar. Foi furtivo, meio rápido demais, com ânsia. Mas que tem calma pros teus problemas e pro teu jeito zen de ser. Alguém que te mostra fotos antigas e conta as histórias da sua vida, como quem abre um livro e te lê os capítulos. 
Existe amor em SP, eu sei. 
Alguém que te dá vontade de falar "Cê fica tão bonito assim, estudando, meio filósofo, meio sério...", com esse ar de quem sabe tanto. Esse cuidado misturado com desleixo. Alguém que te faz compor poesias e versos mentalmente, do tipo "Esse teu eu assim tão você, me dá uns arrepios igual quando sua barba me roça a nuca e eu só sei sorrir." Existe cafuné em SP. Alguém que entende suas referências e frases desconexas. Completa suas ironias e te beija de manhã, dando bom dia. 
Alguém que chegou. E te ensinou a chegar até ele. 
Desce na quarta estação. 
Não se perde, por favor. 
Vou estar lá, depois da escada. 
Meio devagar, meio rápido demais. Difícil explicar. Mas chegou e ficou. E fica. Pedindo pra que nada atropele o caminho natural de nós dois. Pedindo pra que dê tudo certo. Pedindo mais um beijo, pra se despedir. Sem pedir pra ser poesia, mas sendo. 
Existe alguém em SP.



quarta-feira, 27 de julho de 2016

Mi-ami.

Ler ouvindo Por onde andei.






Miami, baby. He said. 
Mi-ami. Me ame, baby. Me ame assim, com o pronome oblíquo começando a frase. Com aquela vontade que você diz baixinho que tem. Me ame com seus olhos cor de água, que dá uma vontade insana de mergulhar. Pular sem saber onde vai dar. E se perder. Com a barba que você deveria ter e não tem. Me ame. Daqui até Miami. Me ame nas noites em que não sei onde você está. Me ame hoje. E talvez amanhã. Me ame nos nossos assuntos eternos. E naquele "se cuida", que sempre parece um "cuida de mim". Me ame nos meus versos mudos que não tem seu nome, mas deveriam. Porque foi você que me pediu pra voltar a escrever. E eu voltei, porque não sei te dizer não. Me ame, porque eu deveria dizer não. E te escrevi um texto que eu não deveria. E chamei ele assim. E chamo você, sempre. Me ame. Assim, de leve. Com esse teu jeito que parece mais comigo do que eu. 
Miami, baby. 
Tão longe de mim. Mas que dá um jeito de estar sempre pertinho. Vem e fica. Pega o que quiser. Leva minha casa e minhas pernas. Puxa meu cabelo e não esquece de mim. Me enrosca. Assim com pronome oblíquo começando a frase: me tira a roupa, me tira o medo. Me tira daqui? Me ama, baby. E volta. E vem. Quantas vezes quiser. Mesmo que sua agenda não permita, vem? Deixa eu ser seu plano. O plano A ou o de fuga, tanto faz. Que você toca aquele violão que nunca mais tocou e eu canto. Que você me toca e eu deixo. Que você me puxa e eu fico. Miami, eu sei. Me ame, baby. Você sabe, eu sei. 

quinta-feira, 9 de junho de 2016

O novo.

Ler ouvindo Pillowtalk.



O novo chegou metendo o pé na porta e mostrando os documentos. 
Diz que veio pra ficar. 
O novo abriu as janelas e arejou a casa. Tem cheiro de casa limpa e café de manhã. 
Ele tem nome de lorde. Tem olhos que parecem ter visto de tudo e conta histórias sobre todo tipo de gente. O novo varreu a casa e não se importou em encontrar tudo uma bagunça. Me pegou no colo e ouviu cada uma das minhas historias, por piores que fossem. 
O novo já me viu chorar. 
E ficou. 
Como disse que faria. 
O novo não se surpreende com meu humor ácido e minha falta de jeito. Ele não tem medo de mim. E tem aquele cheiro bom de gente que é de verdade. 
O novo chegou sem qualquer aviso prévio, sem deixar me preparar. 
E diz que tudo bem, assim. 
Ele me abriu a casa, a vida e sua história, na mesa. Disse que não era grande coisa, mas ele nem sabe que sinceridade daquele jeito dele já é muito. O novo não gosta de falar de amor. 
Assim como eu. 
E me faz pensar em coisas que eu já não sabia mais. O novo me faz ter ciúme. E não é qualquer ciúme não, é aquele bem desgraçado. Coisa que eu não sabia mais o que era. O novo me trouxe sossego. 
Junto com meu doce favorito e um beijo na testa. 
E mais um monte de discussões ansiosas. E outro beijo na virilha. Com aquela cara de cafajeste que quase me mata. 
O novo é bom. 
Faz bem. 
Justo eu, justo agora. 
É, o novo.



domingo, 29 de maio de 2016

Cartomante.

Ler ouvindo Better Man.




 Acertei nas previsões. 
De vez em quando eu acerto, até arrisco um sorriso torto e irônico da sua parte dizendo que eu sempre sei de tudo. Mas você sabe, eu só saberia de tudo se você me permitisse saber ao menos a metade. Acertei na previsão... As vezes eu acerto, quase sempre. Só não acerto quando é sobre a esperança em relação a você. Diria até que dramatizo quando afirmo não te conhecer nem um pouco. Adoraria dizer que é por você ser previsível. 
Mas talvez você não seja tão fácil de se ler. 
Suas entrelinhas são arriscadas ao extremo para alguém como eu. Mas você sabe eu as entendo, eu entendo alguns dos seus sinais. Não sei jogar seu jogo, mas conheço os jogadores. Eu acertei nas previsões, sem ser modesta eu quase sempre acerto. Pode rir, mas eu lembro que seus olhos fugiam de mim em disparada todas as vezes que você tinha o que esconder e eu descobria só no seu jeito de sorrir sem graça. 
Eu acertei na previsão... Quase sempre eu acerto.. 
Quando você está mal, quando exagerou no porre, quando está se exibindo pra alguma paixão, quando posso apostar que voltou para casa com perfume de alguma moça impregnado na blusa de frio e se jogou na cama sabendo que isso é só mais uma furada. Quando voltando do trabalho toca uma música daquelas que você me mostrava e você pensa será que mostro pra alguma garota ou será que só a Thais poderia apreciar de tanta excentricidade? Quando acontece algo grave e mesmo hoje, é minha companhia que você procura pra se sentir melhor. As vezes eu acerto nas previsões...De longe eu vejo fumaça saindo da sua cabeça quando seu mundo vai mal.
 Eu acerto quando antes mesmo de você dar o passo eu já sei para qual direção você vai. 
Quando você age nas suas entrelinhas e fica tudo tão evidente, posso jurar que você sabe que isso iria me atingir em cheio. É assustador para você, mas para mim não é. Você sabe que eu não jogo cartas, não ando em videntes, nem horóscopo eu leio mais. Você sabe, eu só sei dessas coisas, porque ainda me importo com você. Você sabe e por favor desfaz essa cara de que eu sou louca, você sempre soube disso, mas antes de você chegar minha maluquice era menos evidente. 
Eu acertei na previsão. 
Porque mesmo você dando todos os rodeios do universo, uma hora as nossas mentes se cruzam.

 

quinta-feira, 14 de abril de 2016

Agora pra ficar.


Ler ouvindo Crystals.





Hãn... Por onde começar?
Alô?
Vocês ainda me ouvem?
É bom sentir que sim.
Já faz um bom tempo, eu sei.

(...)
Sabe, eu poderia começar esse texto falando sobre como foi difícil passar esse ano em silêncio. Eu poderia falar das vezes que não consegui abrir minha própria página, porque me doía não escrever. Eu poderia não ter voltado nunca mais. Mas eu quero falar da parte bonita disso tudo: eu voltei a escrever. Depois de um ano terrível, de chorar sozinha por algumas vezes. Depois de deixar de acreditar em mim, eu voltei. Eu voltei. E eu não to falando do blog, nem do status. To falando da sensação de voltar pra mim. To falando que as vezes na vida, a gente passa por momentos e por fases em que nem se reconhece mais. 
Perdi alguns amigos. Deixei pra trás toda uma história construída, pra me refazer sozinha. Chorei na frente da minha mãe, dizendo que eu não sabia mais quem era. Trabalhei como se o mundo fosse acabar, pra tentar não pensar na vida fora do ar condicionado. Deixei que tirassem minha identidade e me chamassem de uma pessoa qualquer. 
Mas chega uma hora... Sabe? 
Cê sabe. 
Aquela hora em que você olha pros lados e se pergunta o que está fazendo ali. Chega uma hora em que seu coração grita. E o meu berrou. Eu joguei tudo pro alto. Meti o famoso foda-se. Decidi voltar pro que me faz feliz. E apesar dum medo danado de ser recriminada e julgada e apontada, eu ergui a cabeça e meti o pé. A vida é tão bonita. E a gente perde tanto tempo, esperando amanhã pra ser feliz. Eu voltei a sorrir. Aquele sorriso gostoso que a gente dá sozinho, quando está exatamente onde, como e com quer estar. Sabe? Sei que sabe. Então esse texto é pra você que assim como eu já fez isso. Meu parabéns. Porque a gente aqui sabe: É foda. As pessoas são cruéis. Mas vale tanto à pena. E pra você que ainda não fez, mas sente que deveria: Vai. Mesmo com medo, vai. O mundo é imenso. E a gente é tão pequeno, a vida passa e a gente nem percebe. Vai. Uma ou duas vezes na vida, não adianta nada virar a droga da página. A gente tem que comprar um livro novo.
Na dúvida, vai na fé. "Que a fé não costuma faiá".
Só pra não deixar dúvidas: Eu voltei. 
Com todas as letras e significados que isso pode ter.



segunda-feira, 3 de agosto de 2015

O texto que eu não deveria.

Ler ouvindo Every Breath.


Eu não sei se você vai vir, outra vez. Eu nunca sei. Eu não soube quando cê veio a primeira vez. E chegou perto. E sorriu. E ignorou quem estava ao redor e fez com que eu me sentisse engraçada. Você pulou toda aquela parte em que a gente não se sente à vontade perto de um desconhecido. Veio como se já me conhecesse a um tempão. E acho que conhecia mesmo. É loucura dizer isso, eu sei. Você veio a segunda vez e eu já sabia seu tipo, seu jeito, sua vibe. Eu nem sei porque voltou. Mas sorriu igualzinho a primeira vez, ignorando completamente toda a etiqueta de se conhecer alguém (se é que existe uma, de fato). Dessa vez, você guardou meu nome, enquanto eu já sabia o seu. Não éramos mais desconhecidos. Desse dia em diante cê passou a ter nome, número de telefone e uma voz sussurrada quando dá  "bom dia" meio sonolento. Quem diria? Ninguém. Eu também não digo que é pra não estragar. De repente eu quero vinho, cobertor e aquele papo sacana de gente irônica que você tem. Eu quero aquele jeito safado de quem não me conhecia, mas precisava urgente conhecer e agora conhece e não tem medo. Eu não tenho medo também, amor. Eu quero. E demorei pra conseguir dizer isso, eu quero. Seja lá o que isso queira dizer. Seja lá o que vier, Let it be. E se você  for embora do jeito que veio? Tudo bem. Eu nunca imaginei algo pra sempre. Mas se for, não vou reclamar. "Vamos descobrir o mundo juntos, baby", eu ouço a Cássia e penso em cantar entre um assunto e outro de nós dois. Eu vejo seu sorriso de longe. Vejo tua dor de perto. Eu te vejo, mesmo sem ver. Então, se não for pedir muito não se esquece de mim. Não precisa ficar, se não quiser. Não precisa me amar até o fim da vida, amor. Só me ama hoje e amanhã, e depois de amanhã a gente decide. Ai  você vai embora resolver seus assuntos chatos e eu fico com a poesia. Mas volta. Você volta, né? E a gente se embaralha nessa vontade de termos um ao outro pra sempre, contanto que o "pra sempre" seja só hoje. 
Falando nisso, hoje cê vem? Vem pra mim. 
Vem hoje, pra sempre.


segunda-feira, 30 de março de 2015

Sobre o moço de barba.

Ler ouvindo Every Breath.



Eu não sei como direito como agir. Admito. Não sei. Você chega e faz os ambientes ficarem pequenos, aposto que sabe disso. Você suga tudo ao redor e nada mais parece importar. Você sabe. E pior, você me faz sentir pequena. Frágil, menina. Que droga, cara. Vai embora. Tem tanta menina por aí, tem tantas outras semi modelos que iriam adorar  você jogar esse charme tímido controlado na medida exata nelas. Esse charme de nobre francês misturado com essa barba safada de quem exatamente o que quer. Você sabe o que quer, sou eu quem não sei. Eu to de quatro, cara. Me pega, me leva. Vai embora, dá as costas. E some. Para de me olhar de canto, para de rir da minha cara. Me deixa. Ou então fica, mas fica pra sempre. Fica de vez, sabe? Joga teus medos em cima de mim e despenca toda uma carga de amores passados traumáticos em cima da mesa pra gente resolver juntos. Fala dos teus pavores e pareça um humano. Eu sei que você tem algum defeito. Conta pra mim? Desvenda esse mistério que é ser desejada por alguém que não tem defeitos. Deixa eu invadir sua vida e deixar minha calcinha na sua sala. Deixa eu tomar umas doses com você então. Não me convida mais pra jantar, me convida pra ficar até de manhã. E me aguenta, assim. Imperfeita. Meio louca. Com essas vontades absurdas de te traduzir em palavra, mesmo que nas palavras você fique abstrato. Mesmo que nas palavras eu tenha coragem de admitir que você é um dos caras mais incríveis que já passaram por aqui. E que seu sorriso é lindo de hoje até semana que vem. E suas costas, uau. E que esse teu jeito absurdo de não parar de reclamar da vida seja um charme. Mesmo que eu seja assim, tão direta e tão subjetiva ao mesmo tempo. Promete que não vou ser só uma conquista da sua lista? Promete que sou mais. Não preciso ser a última nem a única. Só quero ser mais. Eu quero ser além, moço. Roça essa barba em mim e me dá uns arrepios, vai. Joga mais teu charme e vê se me olha direito. Não sou qualquer mulher por aí, nem sou mulher pra você. Você sabe, eu sei. Eu nem sei como agir, juro. Vai embora, por favor. E não olha pra trás. Agora volta. E me beija. 













quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Esse caos chamado "todo dia

Ler ouvindo Elastic Heart.



Amar é ótimo. Eu sei disso, você sabe também. O problema mesmo é conviver com o outro, conviver com o mundo. O problema de verdade é conciliar todos os problemas do dia-a-do com a pureza do amor. O verdadeiro desafio é conseguir voltar pra casa ileso todo fim de noite. Nem sempre a gente consegue deixar os problemas junto com os sapatos jogados, na porta de entrada. Nem sempre a falta de dinheiro é romântica e resolvida com planos engraçados de fugir pra praia e fazer dreads. Ser adulto é um porre. Trabalhar, estudar, lavar roupa, comprar papel higiênico, pagar conta de gás. Arrumar a porta emperrada. Reunião de condomínio, reunião de trabalho. Mas e ai? E o amor? Cadê o amor? O amor tem que achar uma brecha entre o banho apressado e a cama pro sono atrasado. O amor tem que marcar hora na agenda. As vezes, tem até que remarcar. Sei que sempre digo isso, mas amar é pros fortes. Eu tenho medo da rotina. E dessa vida caótica desenfreada que puxa a gente todinho pro mundo e faz agente esquecer de si mesmo. Faz a gente esquecer do outro. Eu tenho medo mesmo é de perder esse medo. Eu tenho medo de não enxergar que o amor foi embora por falta de atenção. E de cuidado. Eu tenho medo de me perder e não me achar de volta. Ficar perdida por aí num desses bares cheios de gente que também não sabem pra onde ir. Eu tenho medo de não enxergar a beleza de ter alguém pra dormir quietinho a noite do meu lado. Toda noite. Mesmo que o dia todo seja de correria e stress, a noite é de descanso abraçado. E conversas resumidas e cafés compartilhados com pressa. O amor é maior que isso. Eu sei. E eu gostaria de viver dedicada somente ao amor e as coisas bonitas da vida, mas acredito que tudo tem um porquê. É andando pela rua e convivendo com todo tipo de pessoa que percebo o quanto o amor é mesmo divino. E sagrado. E único. Cada dia mais me sinto sortuda. O caos enferruja todos os dias o amor da gente e nem todo mundo sabe que amor também precisa de manutenção. O amor precisa de cuidado. O amor está em extinção, minha gente. O amor é eterno demais pra essa geração que vive de novidades.

Eu prefiro ser antiquada. Eu prefiro voltar pra casa ilesa.











quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

"Enquanto você dormia..."

Ler ouvindo Use Somebody.


Eu gosto do barulho da sua respiração dormindo, na madrugada. Gosto da seqüência de sons baixinhos do ar que você respira. Você me explica todos os sons dizendo que primeiro o oxigênio entra pelas suas vias aéreas, depois o gás carbônico sai do seu corpo, completando o ciclo respiratório. Tanto faz. Eu gosto do barulho. E você ri, porque me acha subjetiva demais. Eu gosto também das pintinhas que você tem no rosto. Também nunca vi alguém se preocupar tanto com isso. Eu gosto das pintinhas e de como elas deixam seu rosto infantil enquanto você dorme. Eu fico quietinha olhando e pensando que o amor é essa coisa gostosa, é essa coberta que a gente divide dormindo num colchão no meio do nosso apartamento vazio. Aí me dá uma vontade louca de escrever e eu digito bem baixinho pra você não acordar. Eu penso em você, com tanto carinho. E as vezes com raiva e cansaço e com desleixo. Porque eu sou humana e não sei amar direito. Porque você é chato e acaba sempre me tirando do sério. Porque a gente se adora e não consegue passar meia hora brigados. 
Eu nem sei direito porque comecei esse texto, mas você me causa essas coisas meio insanas. De repente te beijar ou sair correndo e pular por cima de você no sofá. De repente, você é minha maior urgência. Sempre é. E só não é mais porque nossas individualidades não permitem. Continuo olhando pra você dormindo e só penso em coisas inteligentes e bonitas. Faço uns versos completos e penso que a vida é boa, sim. Que o amor existe e que nós dois vamos ser felizes. Sem esforço e sem muitas perdas.
 Eu tinha tanto medo do amor, você sabe.
 Eu tinha medo do amor me tirar de mim, me obrigar a ser quem eu não sou. Eu tinha medo do amor me escravizar. Mas você me deixa livre e me convida pra ficar, caso eu queira. E eu sempre quero. A gente sempre quer, mesmo quando tudo tá dando errado. Eu quero escolher ficar, do seu lado, na sua vida, sentada perto da sua mãe nos Natais e abraçando seus avós. Eu quero você, com pintinhas em volta do nariz e com as suas grosserias engraçadas. Eu quero me casar com você e arriscar nossas fichas nessa instituição que ninguém mais acredita. Eu quero uns filhos que tenham seu sorriso quadrado e seu otimismo. Quero festa com bolo e brigadeiro. Quero me sentar na mesa da cozinha e fazer contas com você, imitando aquelas filmes americanos que a gente nunca assiste. Eu quero nunca desistir. Mesmo que a gente saiba que o amor não é um sentimento infinito, mas quero que a gente beba uns goles dele todo dia, igual fazemos com a nossa cerveja. E que você nunca se esqueça dos motivos que nos fizeram chegar até aqui. Porque não é fácil. 
Amar é foda. Amar é pros fortes. 
E não to nem aí sobre o que dizem por aí, sobre isso. Ninguém nunca entendeu a gente, mesmo. Ninguém nunca acreditou. Nem eu.

Mas quem se importa? Volta a dormir, meu bem. Volta a respirar daquele jeito que me acalma. Eu to aqui (pra sempre), amo você.










sábado, 27 de dezembro de 2014

Let it be.



Qual é o preço que a gente paga por amar errado? A gente pagou caro, menino. Foram muitas parcelas. E juros e correções monetárias. A gente se perdeu nas prestações de um amor que nem valia tudo aquilo. A gente pôs a leilão o que não tinha preço. E nos perdemos, fim. Foi isso, sem grandes alardes. Sinto que duramos o quanto podíamos, o quanto nosso amor aguentou. Queria que você soubesse que não foi por mal, que nunca quis te machucar. Nem magoar, nem sofrer. Eu nunca quis nada disso. Mas eu não sabia amar, nem você. A gente apostou todas as fichas sem saber no que apostava. Acontece, né? Acho que sim. 
Acho que ninguém nasce sabendo amar. 
Mesmo assim, eu penso em você. Como um pulo errado, na vida certa. Aprendizado. Você sempre vai ser o primeiro. E todos os outros sempre vão ser comparados a você. Acho que era isso que a gente queria. A gente sempre soube que não seria pra sempre, mas queríamos o eterno. A gente conseguiu. Eternizou. Na vida, na memória, nas promessas loucas de um amor sem futuro. Nas páginas viradas da história da nossa vida. Eu assinei teu livro, você assinou o meu. Se todo amor é mesmo inesquecível, eu não sei. Assim como não sei uma porção de outras coisas. Mas quase sempre penso em você, nas nossas juras desesperadas de um amor que nem sabíamos como manter. Eu me lembro de você, quando passo pela rodoviária. E na minha (nossa) primeira vez no escuro. 
Eu me lembro de você. Queria que soubesse. 
Nem sei se faz diferença. E não sinto raiva, nem saudade. Qual é o preço que a gente paga por acreditar no "pra sempre"? É caro, a gente sabe bem. Depois de você, eu aprendi a dar valor ao meu valor. Nunca mais ouvi aquele cd que você gostava tanto. Nem comprei mais batatas naquele restaurante que já era nosso, de tanto que íamos lá. Eu nunca mais te amei, nem chorei pensando em nós dois. Mas eu me lembro, tá? Eu me lembro sim. Do teu choro e do teu medo de não ser suficiente pra mim. E pro mundo. Eu sei teus medos, ainda. E conheço teu sorriso nas tuas fotos no meio daquela gente estranha. Você ainda é um pouquinho meu. Sou um pouco tua, também. Somos eternos. Don't be afraid.

Por isso nos deixamos, por isso precisávamos ir. 
Let it be. Let it go.









quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Pro amor que fica.

Ler ouvindo História de Amor.


Querido E,
É sempre bom falar com você, por isso te escrevo. Queria te dizer muitas coisas, dessas que a gente lê em livros de auto ajuda e nos fazem crer que os problemas não existem. Mas infelizmente os problemas existem. E você existe também, sorte minha. E nós existimos um pro outro, com tanta verdade que chega a me assustar. Eu não costumo ser tão franca, nem olhar nos olhos dos outros com tanta frequência. Eu não amo tanto assim. Mas você me faz sentir e ser e querer coisas que normalmente não sinto. Espero que saiba. E se não souber, eu te digo. É que ontem, quando me disse que preciso me intrometer mais na sua vida, foi uma das suas declarações de amor mais bonitas (e olha que foram muitas). "Você tem carta branca, sabe disso". Vou me meter então. Quero que leia cada uma das minhas frases e siga todas elas a risca. Primeiro, meu amor: não tenha medo. Da vida, do mundo, da ruindade das pessoas e nem da bondade delas. Não tenha medo de Deus, nem do inferno. Não tenha medo de ser quem você é. E acredite em mim, ser quem você é uma das maiores dádivas que você pode ser, porque você é incrível. E não duvide disso. Não tenha medo de ter esse um milhão de amigos que você tem, mesmo que eles te magoem as vezes. Mas desconfie, as vezes. Porque apesar do teu coração não ser capaz de ferir uma barata (Obrigada por ter matado aquela que veio na minha direção), algumas pessoas não se importam. E não importa o que a gente diga ou faça, elas simplesmente não se importam. Não vou pedir pra que você não se importe, porque eu sei que será inútil. Você está certíssimo quanto ao amor: ele é uma ramificação da liberdade. Não perca esse pensamento, nunca. Não amarre seus braços, porque eles abraçam o mundo (e me abraçam, também). Não tente ser normal e agir como a multidão, porque: você não é "os outros". Você nunca vai ser "os outros". E se não for pedir muito: fica. Fica mais. Fica perto. Com você por perto, eu me sinto mais perto de mim. Você sabe como é ótimo ter alguém com quem não precisamos medir as palavras, nem o amor. Eu queria que você se enxergasse uns segundos com meus olhos e visse o quanto você é humano e único e amazing. So amazing. Você é sol, nos meus dias de chuva. Não se perde. Não se perde de mim. E não perde também essa mania feia de mexer no cabelo enquanto fala e não ter medo de rir das minhas caras e bocas. Promete pra mim? Promete que nunca vai deixar de rir. Ontem eu dormi feliz. Eu dormi pedindo pra Deus e o mundo não te machucarem. Eu sou uma tempestade, eu não posso imaginar o vidro do meu copo d'água quebrado. Eu preciso desaguar em você. E sim, eu te seguro também. E seguro a barra que é gostar de você (Hiê didididiê). E mesmo que o mundo não te entenda ou você mesmo não consiga se entender, você construiu em mim um lugar pra ficar. 
Se precisar, fica. 
Tem tapete colorido e amendoim. 
Tem até rima ruim.
Tem a mim. 
Sempre.









quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Sobre a música chata no carro e ela.

Ler ouvindo A thousand years.


She's not crying anymore.
A música brega ecoava no carro, enquanto a voz dela se misturava com a do cantor que eu nunca tinha ouvido na vida. "Canta comigo, she's not crying anymore, she ain't lonely any longer". Ela ria, como se contasse uma piada. Ela sabe como eu odeio essas músicas que ela insiste em ouvir e cantar alto e rir. Mas aí eu olho pra rindo e penso que: She's not crying anymore. Nunca mais. Porque ela fica tão bonita sorrindo que não consigo sentir raiva, nem odiar a música e nem o deboche dela. Ela fica tão bonita. Ela, que de repente invade meu pensamento e se instala feito aqueles vírus no computador. Aqueles vírus rasteiros que a gente tenta se livrar, mas não consegue. Ela, que com certeza riria dessa minha frase dizendo que sou um nerd do pior tipo. Ela, que as vezes deita do meu lado e diz que tá cansada de mim e tudo que eu quero é ser o descanso dela pras dores do mundo. Tudo que eu quero é ver aqueles olhos dos versos do Machado de Assis não indo embora. 
[...] Fica, menina. Mesmo que eu seja um porre e não saiba cantar as suas músicas. Mesmo que pareça que eu não sou o cara certo e tenho quase certeza que não sou mesmo, mas também nem acho que você acredite nisso.

Ela é certinha. Em tudo. Tem aquela voz mansinha que pode me dizer qualquer coisa sem me ferir e aquele olhar que me afunda no sofá. Ela tem o comprimento dos braços que encaixa perfeitamente em volta do meu pescoço e tem as piores ideias pro fim de semana. 

[...] Fica, menina. Nos meus braços, no meu travesseiro, sentada insistentemente no banco de motorista do meu carro e na minha vida. Fica. Eu queria te prometer que não vou te fazer chorar, mas eu não posso porque seria mentira e não me permito mentir pra você. Nós dois vamos chorar e vamos pensar em desistir, mas eu vou ficar. Então fica. 
Nem tem mais ninguém pra quem eu pensaria em dizer esse monte de pensamentos frouxos. Só pra ela. Ela, que de repente faz bico do tamanho do mundo e o céu fica cinza, os pássaros não cantam e a vida não brilha mais. E ninguém entende. Eu fico perdido tentando entender o que o mundo fez pra ela sofrer assim. E daqui a pouco ela já está rindo, como se o mundo fosse acabar. Porque ela é assim mesmo, é toda inteira e intensa. As sensações e sentimentos levam ela pra onde querem e ela vai. Foi assim que ela veio, e ficou. Eu vou ser repetitivo, porque realmente não imagino a vida sem os cabelos dela meio lisos, meio enrolados enrolados no meu travesseiro. Eu prometo que não desisto. Mesmo quando for tudo um saco e eu não lembre quais foram os motivos pelos quais escrevi esse texto brega.
[...] Eu não desisto de dançar com você, mesmo que ninguém mais ouça a nossa música. E até canto junto. She's not crying anymore. Fica, por favor?



segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Aceitação.

Ler ouvindo Home.



Essa semana um amigo me surpreendeu. Aquele tipo de notícia que a gente não sabe se fica feliz ou triste, sabe como é? A gente não sabe se agradece ou lamenta. Aquele tipo de notícia - que, pra pessoas sentimentais como eu - fica martelando na cabeça. Eu tenho uma mania boba de achar que todo mundo que eu amo deve estar sempre bem. E cuido pra que isso se concretize, sabe? Cuido mesmo, sou chata a beça. Fico preocupada, levo as mãos a cabeça, acordo no meio da noite pensando em soluções pra ajudar os outros. 
O mundo não me tira esse caminhão de amor no peito. 
Nem as notícias difíceis de digerir, nem os problemas. Tenho um amor que não se abala. Outra amiga minha vai se casar, me trouxe o convite - um presentinho lindo de madrinha - e uma carta. Isso mesmo, uma carta. Foi o melhor momento da minha semana. Eu abri uma carta, escrita em folha de caderno com tinta de caneta Bic. E lá dentro tinha a reciprocidade de anos do meu caminhão de amor, que já visitou tanto a vida dela. Eu senti que vale a pena. Nem sempre eu sou legal, nem engraçada. Nem sempre eu consigo ser o melhor de mim. Mas as pessoas também me aceitam. Meu noivo me abraça sempre e diz que sou a mulher mais chata do mundo. Acredito nele. No abraço e na afirmação. Das coisas que aprendi nos últimos tempos, essa é uma das mais importantes: amar é aceitar. A gente tem que aceitar os outros, pra conseguir se aceitar. A gente tem que amar muito aos outros, pra conseguir se amar. E depois de despejar caminhões de amor por aí, eu despejei pra mim também. E tô feliz, assim. Consigo despejar amor de forma muito mais saudável. Consigo escrever e falar de amor, mesmo quando não tô tão de bem com a vida assim. E até você, meu leitor, aceita. Umas frases não tão bonitas assim e uns versos nem tão ortograficamente perfeitos. Aceito que minha melhor amiga more a muitos - bilhões - de quilômetros exagerados de mim. Aceito até que não tenha salada no jantar. Só não aceito mesmo é a falta de amor. Não aceito a falta de consideração com o outro, a indiferença por pura maldade. Eu não aceito mais dar e não receber. Eu não aceito mais a inveja disfarçada de bondade. 
Eu não sou de joguinhos, nem de metades. Prefiro mesmo a verdade escancarada e umas risadas sinceras. Estava com saudade de escrever textos assim. Aceitar a inspiração e despedaçar as idéias em palavras, do jeito que meu coração pede. Espero que você também aceite. Espero que me entenda. Amar não é aceitar tudo, mas é aceitar que a gente é humano. E que a gente faz um monte de bobagens e escolhe nossos caminhos. 
Amar é aceitar meus caminhos e o dos outros. E você, aceita?








segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Confissão.

Ler ouvindo Chandelier.


Hoje quando acordei, te quis por perto. Tive um sonho incrível, com aquela época em que nós dois parecíamos um só, pelo tanto que estávamos juntos. Senti falta de quando ouvir tua voz era um costume e não um arrepio gelado na espinha. Hoje quando acordei, pensei que o amor é uma dessas tristezas da vida. Uma dessas coisas que ninguém diz, mas todo mundo sofre. Uns um pouco mais, outros um pouco menos. Outros ainda vão sofrer. Ninguém sai ileso. Eu não escapei, ninguém escapa. 
O amor é um sentimento mesquinho, menino. 
Ele não se importa com a dor da gente. Ele decide vir e puft, faz a gente lembrar. Faz a gente doer. As vezes eu te imagino voltando. Com aquele sorriso de sempre e uma bagagem nova. Com aqueles olhos brilhando e aquela camisa xadrez horrível. Você pode até usar aquela droga de camisa, se quiser voltar. Prometo. Você pode voltar, eu prometo. O amor deixa sempre a porta aberta, você sabe. E a gente sai por aí, sorri pra outras pessoas e vai pros bares de sexta a noite pra não pensar nisso. Mas a porta continua aberta e a gente só quer mesmo é ver o outro entrando e pedindo pra ficar. Mesmo que vá doer de novo, mesmo que seja tudo uma droga de novo. A gente não tá nem aí. O amor é uma droga. Dessas que viciam mesmo, sabe? Que pegam a gente pelo cabelo e obrigam a gente a fazer umas loucuras. É uma droga. E você é uma droga, também. Uma droga de um amor que quase esqueço, todos os dias. Mas no fim da noite, aqueles segundinhos antes de dormir eu penso em você. 
Admitir esse tipo de coisa é um saco. 
Eu penso em você, cara. E me pergunto se as vezes você também tem aquela vontade que a gente tinha de fugir pra China e largar tudo que a gente já fez até aqui. Eu aprendi umas palavras em mandarim. Eu queria te contar que conheci um cara que fez a mesma faculdade que você e hoje tá benzão na vida. Eu queria te contar do meu sonho. E do meu quadro novo, que parece um daqueles abstratos de Picasso. E você poderia procurar um monte de figuras no meio do embaralhado das tintas. Eu poderia me embaralhar em você, de novo. A gente poderia ser muito feliz, você sabe disso? Não sei. Nem eu sei ao certo. É horrível pensar que algo que poderia ser tudo, acabou em nada. Eu não gosto de sonhar com você e acordar sozinha. Eu odeio te achar um estranho. E não poder te contar meus planos com naturalidade e você ficar feliz comigo. 
O amor obriga a gente a ser humilde. Obriga a gente a aceitar que nem sempre as coisas são como a gente quer. O teu amor me deixou mais forte e a falta dele me deixou mais humana. Se algum dia você passar por aqui, entra pra tomar um café, tá? 
A porta vai estar aberta.

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Certeza.

Ler ouvindo In these arms.




O que eu posso dizer sobre ele? Bom, é complicado. Ele é abstrato. Tem uma pose séria demais, com um sorriso que nunca parece sincero. Menos quando ele ri de repente, aí o rosto se ilumina e ele parece ter sete anos de idade. Mas normalmente parece ter bem mais do que os vinte-e-poucos que dizem na sua identidade. Ele implica com quase tudo. Odeia ser contestado e odeia (odeia mesmo) que interrompam seus devaneios. Mas também sabe ouvir, sabe entender. Ele sabe. Ele sabe coisas demais. E peço perdão se usar o termo "demais" por muitas vezes nesse texto, mas é difícil defini-lo sem exagerar. Demais. Ele me transbordou, desde o princípio. Fez com que eu mudasse a postura, o esmalte, a cor do lençol. Ele me bagunçou todinha, sem perceber. Eu sorri pra ele depois de um beijo estranho e a vida me sorriu de volta. Eu não posso dizer que as vezes não odeio a mania chata dele de não prestar atenção, quando desato a falar por quarenta e nove minutos sem parar, emendando um assunto no outro, descontando toda minha angústia de não ser tudo que quero nas minhas palavras. Não posso dizer que não o odeio por quinze segundos. As vezes até vinte segundos. Mas eu posso dizer que ele me faz ter vontade ser tudo que quero. E o universo conspira pra me empurrar pra ele, sempre que eu me afasto. Ele é muito. E nem sabe que é muito, porque as vezes fica inseguro quando to de salto e ele tá de chinelo. Aí ele me pergunta, esperando um elogio: "Tô bem?". Tenho vontade de gritar que sim, está bem, está ótimo, meu Deus como você pode achar que não está bem? Coloque seu pijama e você vai continuar ótimo. A força dele vem de dentro, sabe? Ele não sabe disso, também. Se soubesse, ganharia o mundo. Se ele soubesse a magia que tem naqueles braços, quando ele sem motivo algum simplesmente me abraça. E olha pra mim com um olharzinho maroto de quem sabe que era aquilo que eu precisava. Era aquilo mesmo, ele tá certo. Mesmo achando que tá sempre errado. E muitas vezes, ele se desculpa porque acha que tá errado, mas na verdade não tá. Ele está sempre certo. Há mais de dez anos, ele me perguntou se eu queria ser dele, mesmo a gente nem sabendo o que isso significava. Eu não quis, mas ele tava certo. E quando ele quis namorar certinho, de aliança no dedo e conhecer as famílias porque ele dizia que era o melhor a fazer, ele tava certo. Ele tá certo hoje, quando me diz que sou chata demais. Ele tá certo, sempre. E ele estava certíssimo quando me disse que muitas vezes os sentimentos mudam e as pessoas também, mas se a gente tiver vontade de verdade não existem estatísticas que possam impedir duas pessoas de se amarem. E a gente se ama. Ele é inspiração pros meus textos e pra minha vida. Ele, porque tá sempre certo. Eu, porque acredito em certezas. Demais.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

A carta que eu não mandei.



Tô indo embora. Talvez quando você acordar, eu já esteja longe. Pra dizer a verdade, to longe faz tempo. E eu não queria estar, Deus sabe o quanto eu não queria. Eu quis ficar, mais do que tudo. Mas não dá, você sabe que não dá. Amar sozinho é um poço que nunca tem fim, cara. A gente acorda caindo, passa o dia todo caindo, a gente dorme caindo e nunca descansa. Amar sozinho tira toda a nossa paz. Eu precisei ir, espero que você entenda. Assim como te entendi tantas vezes. Mesmo quando você foi embora algumas vezes por impulso e depois voltou dizendo que não era bem assim, que estava confuso, que precisava de mim. Eu sei, eu entendi. Fica, pode ficar, vem cá, me abraça. E quando você perdia horas fazendo "suas coisas", coisas que nunca tinham nada a ver comigo e você não se importava que não tivessem. Eu entendia. Ou pelo menos engolia o choro quando você chegava e te abraçava o mais forte que podia. A gente amar sozinho é uma tristeza. É uma solidão tão dolorida, aquela dor quietinha que come a gente por dentro, sabe? Num sabe. Eu sempre amei você. Eu espero que me entenda. E que não sinta ódio, nem mágoa. Porque apesar de tudo, vou embora de coração tranquilo. Fiz tudo o que pude por nós. Fiz até o que não pude, cê sabe. Briguei com uma porção de pessoas, por você. Briguei até comigo. Dizia baixinho pra mim que hora ou outra você ia chegar em casa com um olhar diferente, que ia me pegar nos braços e pedir perdão por tanto descuido. Eu sonhei todo dia, com o dia que nunca chegou. E a porta que eu esperava ver você entrar, vai me ver sair pra não voltar. Eu preciso ir, meu coração tá surrado demais de amar tão errado. Eu nem te culpo por isso, o amor era meu. O amor sempre foi meu. Não me arrependo, também. A gente aprende muito quando ama, a gente descobre coisas que jamais saberia se não sentisse esse alvoroço no peito. Mas teus olhos bonitos não me prendem mais. Eu preciso ir pra rua, eu preciso ver o mundo que não vejo faz tempo. Eu preciso olhar pra mim e enxergar que também existo. Eu mereço, sabia? Eu mereço muito. E apesar de você nunca ter percebido isso, eu mereço muito. E merecia todas as surpresas e flores e beijos estalados que você não deu. Eu merecia o jantar de aniversário que você não me levou. Eu mereço. E vou embora hoje, porque mereço muito mais. E depois de tanto lutar pra te ver sorrir, eu percebi que meu sorriso é melhor sem o seu. Eu percebi que a vida é muito bonita, cara.

Tô indo embora. Vou escancarar meu peito e limpar das tuas lembranças. Vou abrir as janelas e deixar o sol entrar. Dessa vez, eu não volto. Te cuida. 
Ps: Minha chave vai ficar no balcão. Meu coração também.









sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Porque com acento circunflexo.


Ler ouvindo N.


Eu te amo, porque sim. 

Porque você não acha graça em aniversários e come sempre o seu lanche todo e metade do meu. Porque hoje é nosso aniversário e você nem acordou pra ir na faculdade. Porque a gente assiste junto aquele programa de chefs de cozinha e fica reclamando que tem pouca comida no prato deles. Porque você sempre dorme. Sempre. Porque agora quando eu durmo, você me enche de beijos achando que não acordo (mas na verdade, eu acordo sim). E porque ultimamente a gente tá muito estressado e vive engolindo em seco pra não falar bobagens. Porque nosso carro é bonito e nosso apartamento mais bonito ainda. E a gente dorme e acorda e as coisas nunca mudam entre a gente. O tempo passa e a gente continua achando graça nas mesmas piadas. Eu continuo fazendo a "cara de brava" e você continua tentando imitar ela, só pra me fazer rir. Porque somos mal humor de manhã, saudade a tarde e aconchego no fim do dia. Porque a gente sempre discute, mas a gente nunca briga. E essa é a uma das coisas mais legais entre a gente, porque não tenho medo de ser eu mesma ou dizer o que quero ou penso. Eu sei que você vai entender (provavelmente vai reclamar um pouco, dizer que sou "a mulher mais chata do mundo", mas vai entender). E essa sensação é incrível, também. E a gente não dá certo juntos, não mesmo. A gente dá muito errado, mas a gente não tá nem aí pra isso. Nossos gostos quase nunca combinam e nossos jeitos são completamente opostos. Não temos nada a ver. Nós somos a fórmula errada, que dá certo. E eu te amo, porque sim. E porque você me pede pra dizer "sim" e eu digo "não", aí você pede pra eu repetir o "não" e eu digo "sim". Porque a gente se diverte demais, juntos. E faço parte da sua família e você faz parte da minha. Porque nossos cheiros se misturam, quando passamos o fim de semana grudados no colchão da sala e no fim do domingo nunca sei se o perfume no travesseiro é meu ou seu. Porque somos uma dupla dinâmica na cozinha, você ama comer e eu amo cozinhar. Porque tenho um riso aberto e você tem um sorriso quadrado. E nossas mãos vivem entrelaçadas, até quando a gente dorme. Porque a gente ama sashimi e filmes complicados. E principalmente porque você sempre fica. Quando to um porre ou quando to de salto e batom. Quando eu começo chorar porque to estressada ou quando te dou beijos no rosto todo. Quando tá tudo legal ou quando a gente tá prestes a desistir. Você sempre fica. E sempre me convida pra ficar. Porque no auge do seu romantismo mecânico, você me ensinou que somos feito ferro e aço: precisamos estar unidos pra ser fortes. Detalhe: uma liga metálica não se desfaz nunca. E apesar de amar ser uma dureza quase sempre, a gente insiste em dizer que é incrível, porque é mesmo. Porque não existe felicidade parecida. Completamos mais um ano nessa luta, porque sim. 
Porque eu te amo. Sem acento e com tudo de mim.